sexta-feira, 11 de janeiro de 2013 0 comentários

As Migrações Mundiais - 3º ano




Os movimentos horizontais ou transladativos, são os deslocamentos definitivos ou temporários dos habitantes de um lugar para outro. É o caso do nomadismo, das migrações, da transumância e do êxodo rural.
O nomadismo é o movimento constante praticado pelos povos sem residência fixa. É o caso dos ciganos.
As migrações são movimentos de pessoas de uma região para outra. São internas quando ocorrem dentro de um mesmo país e externas quando se dá de um país para outro, daí o fato de existir:
  • emigração: a saída da população de um lugar;
  • imigração: a entrada ou chegada de estrangeiros num lugar.
Os estrangeiros que se encontram morando no Brasil foram emigrantes de seus países – Portugal, Espanha, Itália, Japão – e, quando aqui chegaram, tornaram-se imigrantes.
Os países de antiga colonização e de elevada densidade demográfica são, quase sempre, países de emigração, como Portugal, Espanha, Itália, Japão, China, Coréia do Sul, Alemanha, Holanda e muitos outros.
Os países de colonização recente e de baixa densidade demográfica são países de imigração, como Estados Unidos, Canadá, Brasil, Austrália, Venezuela e outros mais.
A emigração de um país pode ser causada por vários fatores, como crises econômicas, doenças epidêmicas. Perseguições políticas e religiosas. Os preconceitos raciais também provocam emigração.
A imigração no Brasil foi autorizada em 1808, com a vinda da Família Real. No entanto, só em 1818 chegaram os primeiros imigrantes. Eram suíços-alemães que se estabeleceram no atual Estado do Rio de janeiro, onde fundaram a cidade de Nova Friburgo.
Mas, somente com a necessidade de mão-de-obra para a cultura cafeeira, após 1850, é que se intensificaram as correntes imigratórias.
No governo Getúlio Vargas foi adotada a quota de imigração (1934), limitando a entrada de imigrantes em nosso país.
O Brasil recebe imigrantes das mais variadas origens, principalmente da:
  • Europa: portugueses e italianos;
  • América Latina: uruguaios, argentinos e chilenos;
  • Ásia: chineses e coreanos;
  • América do Norte: estadunidenses.
O órgão do governo que cuida da imigração no Brasil é o Incra – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária.
É comum no Brasil, a dedicação de certos imigrantes a determinadas atividades econômicas. É por essa razão que relacionamos:
  • portugueses com padarias e bares;
  • espanhóis com restaurantes, ferro-velho, indústrias gráficas, de mecânica e de metalurgia;
  • japoneses com mercearias ou quitandas, tinturarias ou lavanderias, fotografias e eletrônica;
  • turcos (árabes e sírio-libaneses) com comércio de tecidos e de roupas;
  • chineses com pastelarias e restaurante.
As Migrações Internas
As migrações internas estão intimamente ligadas ao processo de mudança da economia brasileira e à criação de novos pólos de desenvolvimento.
As atividades econômicas que atraíram as migrações internas no Brasil foram:
  • a criação de gado no sertão do Nordeste, no século XVII, quando nordestinos deixaram a Zona da Mata, devido ã decadência da cana-de-açúcar;
  • a mineração, no século XVIII, quando nordestinos e paulistas deslocaram-se para Minas Gerais devido à descoberta de ouro;
  • a cultura do café na zona de terra roxa, que determinou novo movimento migratório (nordestinos e mineiros) para São Paulo e Paraná, em fins do século XIX e começo do atual;
  • a coleta do látex (borracha natural), em fins do século XIX e começo do século XX, quando nordestinos procuraram a Amazônia e conquistaram o Acre, que antes pertencia à Bolívia;
  • surto algodoeiro, na década de 30, atraindo nordestinos e mineiros para o Estado de São Paulo.
Atualmente, a construção de estradas, de hidrelétricas e de obras urbanas determina novas frentes de migração para o Norte do país.
Resumindo , podemos concluir que a região:
  • Sudeste é a de maior atração, portanto, com saldo migratório positivo;
  • Nordeste é a de maior dispersão, portanto, com saldo migratório negativo.
Transumância
A transumância é um movimento periódico e reversivo, causado por fatores climáticos, com a mudança das estações ou secas temporárias.
O pastor nômade das regiões montanhosas é um transumante. Ele vive com seu rebanho:
  • nas montanhas, durante o verão e o outono;
  • na planície, durante o inverno e a primavera.
No Brasil, a transumância ocorre entre o Sertão e a Zona da Mata do Nordeste.
Pequenos proprietários plantam suas roças na época das chuvas – o verão. Na época das secas – o inverno -, eles mudam-se para a Zona da Mata, onde trabalham como empregados nas plantações de cana-de-açúcar.
As famílias ficam no sertão, aguardando as colheitas e o retorno dos entes queridos. A volta para o sertão dá-se com o reinício das chuvas, quando iniciam novas plantações.
Esse movimento ficou conhecido em todo Brasil através da letra da música "Asa branca", cantada pelo saudoso Luiz Gonzaga:
“Hoje longe muitas léguas”.
Numa triste solidão
Espero a chuva cair de novo,
Pra mim voltar pro meu sertão".
Êxodo Rural
O êxodo rural é o abandono do campo em busca das cidades. Tem sido muito comum no Brasil, após nosso grande surto industrial. As cidades em fase de crescimento e de industrialização oferecem melhores condições de trabalho e de vida. Em busca dessas condições, milhares de retirantes abandonam o "sossego" dos sítios e das fazendas e se aventuram pelas nossas cidades.
O sucesso esperado não ocorre com todos esses trabalhadores, quase sempre carregado de família. Em muitos casos, a situação piora muito.
O êxodo rural tem muitas conseqüências e todas elas são bastante negativas.
Para o campo, as conseqüências do êxodo rural são:
  • diminuição da população rural;
  • diminuição da mão-de-obra rural;
  • diminuição da produção agrícola, com elevação do custo de vida.
As conseqüências do êxodo rural mais desastrosas ocorrem nas cidades. São elas:
  • desemprego e subemprego, quando o mercado de trabalho é pequeno para a quantidade de mão-de-obra disponível;
  • falta de habitações, gerando preços elevados no aluguel ou na compra das habitações;
  • formação de favelas e de bairros operários, sem as benfeitorias da cidade;
  • desaparecimento do cinturão verde (chácaras e sítios que envolvem a cidade), devido à especulação imobiliária;
  • deficiências nos serviços públicos urbanos, como água encanada e esgoto, coleta de lixo transportes coletivos;
  • crises de abastecimento no mercado urbano, com falta de gêneros alimentícios e outros produtos;
  • marginalidade social, com delinqüência, mendicância e prostituição.
As cidades brasileiras que mais sofrem as conseqüências do êxodo rural são as capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Fortaleza e outras mais.
O aparecimento do bóia-fria é, também, conseqüência do êxodo rural.
Os bóias-frias são trabalhadores rurais que moram nas periferias das cidades.
Os deslocamentos desses trabalhadores entrem a cidade e o campo são feitos, muitas vezes, de maneira arriscada, em veículos sem nenhuma segurança.
A explosão demográfica
Explosão demográfica é o grande aumento da população da Terra, ocorrido principalmente no século XX.
É, na verdade, com se fosse uma bomba de pavio acesas prestes a explodir, daí a comparação da explosão com a população.
Até o século XIX, a mortalidade era extremamente elevada, pois a humanidade não tinha recursos suficientes para combater grande parte das doenças.
As grandes descobertas do nosso século, como a penicilina, as vacinas e os antibióticos. Diminuíram bruscamente o índice de mortalidade. Como a natalidade não foi reduzida, o resultado foi o aumento do crescimento vegetativo.
População brasileira no conjunto global


Ano
Efetivos em 1 000 hab.
% efetivo global no Brasil



Globo
Brasil

1800
1850
1900
906.000
1.171.000
1.608.000
3.600
7.100
17.438
0,397
0,606
1,084

1950
1960
1970
1980
1994
2000
2.517.000
2.990.000
3.600.000
4.280.000
5.188.000
5.590.000
6.129.000
51.944
70.119
93.139
121.113
150.368
155.000
179.487
2,063
2,345
2,587
2,829
2,898
2,772
2,2928












Recordando:
  • Emigração é a saída de população de um lugar.
  • Imigração é a entrada de estrangeiros para morar em um lugar.
  • China, Itália e Portugal são países de emigração.
  • Austrália e Estados Unidos são países de imigração.
  • Brasil passou a ser país de emigração.
  • Nordeste é a região que mais dispersou população do Brasil.
  • Êxodo rural tem mais conseqüências negativas.
  • Explosão demográfica é o aumento exagerado da população.

sábado, 24 de novembro de 2012 0 comentários

Taxas Demográficas - Fundamentos básicos para 3º ano



Taxas Demográficas - Fundamentos básicos
            1 -Taxa de natalidade
Número de nascidos vivos* em um ano por mil habitantes. É a relação entre os nascimentos anuais e a população total, expressa por mil habitantes.
*não incluiu os natimortos
Exemplo:
            Nascimentos anuais: 775.000
                       População total: 55.173.000 habitantes
Taxa de natalidade: 775.000 x 1000 = 14%o
                                55.173.000

Taxa de natalidade é 14%o ou 14/1000 (lê-se catorze crianças nascidas vivas para cada grupo de mil habitantes num ano)
??


0/00  ??

Expressa-se o resultado anterior assim: 1,4% = "Hum vírgula quatro por cento"

2 -Taxa de mortalidade
Número de óbitos em um ano por mil habitantes. É calculada a partir da relação entre óbitos anuais, multiplicados por mil, e a população. Exemplo:
Óbitos anuais: 335.000
População total: 55.173.000 habitantes
Taxa de mortalidade:
     335.000 x 1000 = 6%o
55.173.000
Taxa de mortalidade é 6%o ou 6/1000 (lê-se seis pessoas morreram para cada grupo de mil habitantes num ano)
Expressa-se o resultado anterior assim: 0,6% = "Zero vírgula seis por cento"
As taxas de natalidade e de mortalidade são expressas em porcentagem. Assim, baseando-se nos dados dos exemplos acima (14%o e 6%o), concluímos que a:
taxa de natalidade = 1,4% / taxa de mortalidade = 0,6%.

3 -Taxa de crescimento vegetativo
Diferença entre a taxa de natalidade e a taxa de mortalidade. Conforme exemplos de taxas de natalidade e mortalidade anteriores, subtraímos a menor da maior assim:
Taxa de natalidade: 14%o
Taxa de mortalidade: -6%o
Crescimento vegetativo: 8%o
Crescimento vegetativo: 8%o ou 8%
Obs: a taxa de crescimento vegetativo é também denominada taxa de crescimento natural. Assim, baseando-se no resultado do exemplos acima concluímos que o crescimento vegetativo é de 0,8%.

4 -Taxa de fecundidade
Número médio de filhos por mulher em idade de procriar, ou seja, entre 15 e 49 anos.
A taxa de fecundidade da mulher brasileira caiu de 6,28 filhos, em 1960, para 2,38 filhos, em 2000. Nas famílias mais pobres, a queda da fecundidade está muito relacionada à esterilização. As mulheres pobres têm dificuldade de acesso a informações e a serviços de contracepção, e muitas vezes acabam optando pela esterilização logo após o primeiro parto.
Em 1970 a mulher brasileira tinha, em média, 5,8 filhos. Trinta anos depois, esta média era de 2,3 filhos.

No mundo, no final do século XX, a taxa de fecundidade era de 2,9 filhos por mulher, Nos países mais desenvolvidos esta taxa era de 1,5, e nos países menos desenvolvidos, em torno de 3,2.
Segundo a ONU, a taxa média de fecundidade necessária para a reposição da população é de 2,1 filhos por mulher. Os dados da tabela a seguir mostram que, enquanto em muitos países essa taxa supera esse valor, em outros ela é inferior. Nesses casos, ou esses países incentivam a natalidade (caso dos Países Baixos, que na década de 1990 estava com crescimento populacional negativo) e aceitam a entrada de imigrantes (caso da Itália), ou suas populações tendem a diminuir, como mostram projeções da ONU para 2050.

Taxa de crescimento populacional
Países                       Taxa de crescimento da população entre 2000 e 2005 (% ao ano)                          Taxa de fecundidade
Somália                       4,2                                                                                                                     7
Afeganistão                  3,9                                                                                                                     7
Arábia Saudita              2,9                                                                                                                     5
Paraguai                       2,4                                                                                                                     4
Índia                            1,5                                                                                                                     3
Brasil                           1,2                                                                                                                      2
Estados Unidos             1,0                                                                                                                      2
China                           0,7                                                                                                                      2
Países Baixos                0,5                                                                                                                      2
Alemanha                     0,1                                                                                                                      1
Itália                           -0,1                                                                                                                      1
Rússia                         -0,5                                                                                                                      1

ONU: Divisão de Estatísticas. Disponível em http://unstats.um.org. Acesso em: 14 abr. 2004.
Divisão de estatísticas do Banco Mundial. Disponível em http://devdata.worldbank.org. Acesso em 14 abr. 2004.


 
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